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Revista de Hepatologia - MORFOLOGIA DO FÍGADO: DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA
JULHO/AGOSTO-2000

SINAIS E SINTOMAS DAS DOENÇAS HEPATOBILIARES

Dra. Claudia P.M.S. de Oliveira
Médica Pesquisadora da Disciplina de Gastroenterologia da FMUSP

ICTERÍCIA

É dos sintomas mais freqüentes nas doenças do sistema hepatobilar. Definida como coloração amarelada que surge nas mucosas e pele, conseqüente ao acúmulo de bilirrubina. Pode surgir em doenças hemolíticas, doenças congênitas em que existe deficiência na conjugação ou excreção da bilirrubina, hepatites, cirrose, obstruções biliares e outras. Pode significar insuficiência hepatocelular nas hepatites fulminantes ou cirroses descompensadas. Quando associada a colúria e acolia fecal, sugere elevado grau de colestase intra-hepática ou obstrução da via biliar extra-hepática. Quando associada a febre e dor no hipocôndrio direito, sugere colangite e/ou colecistite. Icterícia flutuante pode sugerir tumor de papila.

PRURIDO CUTÂNEO

É um dos sintomas que sugere colestase, seja intra ou extra-hepática. Pode ser um sintoma grave e incapacitante. Comum nas obstruções biliares extra-hepáticas e na cirrose biliar primária.

DOR

A dor no hipocôndrio direito(HD) é freqüente nas patologias que acometem a vesícula e via biliar principal, principalmente quando existe a presença de cálculos. Na doença litiásica, a dor é intensa, tipo cólica, podendo irradiar-se para o dorso ou ombro direito. Pode vir acompanhada de vômitos. Os processos parenquimatosos hepáticos eventualmente determinam dor em HD, surda ou em peso, de leve a moderada intensidade. Geralmente secundária a processo neoplásico ou inflamatório que distende a cápsula de Glisson.

ERITEMA PALMAR

Consiste na ruborização das eminências tenar e hipotenar. É um dos sinais periféricos de hepatopatia crônica com insuficiência hepática. Secundário à metabolização prejudicada de hormônios esteróides sexuais no fígado insuficiente.

ARANHAS VASCULARES ("Spiders")

São dilatações vasculares distais, de coloração avermelhada, medindo cerca de 0,5 cm de diâmetro, que desaparecem à digito-pressão. Comuns em tórax anterior, face e membros superiores. Também é um sinal periférico de hepatopatia crônica, conseqüente à metabolização prejudicada de hormônios esteróides sexuais no fígado insuficiente.

ALTERAÇÕES ENDÓCRINAS

As alterações endócrinas que ocorrem nas doenças crônicas do fígado manifestam-se quando já existe insuficiência hepática. Também decorrem da metabolização inadequada dos hormônios esteróides sexuais e se apresentam de forma diferente no homem e na mulher. No homem, a relação estrógeno/testosterona livre encontra-se elevada determinando atrofia testicular, distribuição feminóide de pêlos pubianos, ginecomastia e impotência sexual. Na mulher esta alteração hormonal acarreta atrofia gonadal, ciclos anovulatórios, alterações menstruais e tendência à masculinização.

DISTÚRBIOS MENTAIS (Encefalopatia Hepática)

Síndrome caracterizada por alterações neurológicas, decorrentes da intoxicação de substâncias tóxicas (amônia, aminoácidos aromáticos, benzodiazepínicos, falsos neurotransmissores) na substância reticular ascendente no bulbo encefálico. Estas substâncias são provenientes da circulação esplâncnica secundárias à metabolização hepática insuficiente. O "flapping" é o sinal característico porém não específico desta síndrome. Consiste no tremor involuntário das mãos à dorsiflexão em "bater de asas".

HÁLITO HEPÁTICO

É o odor característico e patognomônico de insuficiência hepática. Consiste na eliminação de produtos nitrogenados voláteis provavelmente de origem intestinal.

EQUIMOSES E PETÉQUIAS

Secundárias aos distúrbios de coagulação, pois o fígado é responsável pela produção de todos os fatores de coagulação exceto o fator VIII. Também podem ser conseqüentes à deficiência de absorção das vitaminas lipossolúveis, como ocorre nas colestases. Os fatores II, VII, X, XI são dependentes da vitamina K . Estes pacientes apresentam sangramentos e alteração na atividade de protrombina. Também no paciente cirrótico pode coexistir hiperesplenismo, reduzindo o número de plaquetas e propiciando sangramentos.

SINAIS E SINTOMAS DE HIPERTENSÃO PORTAL

Os principais sinais de hipertensão portal são esplenomegalia, circulação colateral visível no abdome, ascite, varizes esofagogástricas (hemorragia digestiva alta), hemorróidas (hemorragia digestiva baixa). Contudo, hemorróidas são patologias proctológicas comuns, não significando isoladamente um sinal de hipertensão portal.

A esplenomegalia geralmente decorre de doenças hepáticas que determinam o bloqueio do fluxo portal como na esquistossomose e cirrose. Deve ser lembrada no diagnóstico diferencial das doenças linfoproliferativas.

A ascite hepatógena é uma complicação freqüente das doenças crônicas do fígado. Constitui um índice de mau prognóstico. Pode surgir também na insuficiência hepática aguda grave. É conseqüente à transudação de líquido peritoneal e resulta de uma associação de vários fatores como: desequilíbrio das forças de Starling como aumento da pressão portal e redução da albumina sérica; aumento da transudação linfática; ativação do sistema renina - angiotensina - aldosterona (S R A A); ativação do Sistema Nervoso Simpático e ação de vasodilatadores periféricos (tipo óxido nítrico).

O sangramento pela ruptura das varizes esôfago-gástricas constitui a principal causa de óbito nos pacientes hepatopatas crônicos. Exterioriza-se sob a forma de hematêmese ou melena. Outro achado freqüente de hipertensão portal avançada é a circulação colateral visível no abdome. Decorre do aumento do fluxo e dilatação das colaterais que comunicam o sistema porta às veias cava inferior e superior. A veia umbilical recanaliza-se podendo apresentar-se sob um aspecto denominado "cabeça de medusa". Quando atinge grande calibre pode produzir um sopro característico denominado Cruveilhier-Baumgarten.

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